A história sempre foi contada por homens sobre outros homens, relegando à atuação feminina um papel coadjuvante nessa construção, com pequenos destaques. O que pretendo é resgatar a participação feminina na construção da história do nosso país, partindo da nativa e da desbravadora, passando pela escrava, senhora, proprietária, operária, nobre, anônima, professora(minha mãe), esposa, mãe, prostituta, bóia fria, fazendeira, terminando na mulher atual, emancipada e dona de seu destino.Mulheres que contribuiram enfrentando toda série de obstáculos impostos por uma sociedade machista, preconceituosa, hipócrita, pseudo moralista, mitologica e fantasiosa, para coibir ou apenas tentar barrar a marcha dessas guerreiras. Nesta trajetória percebemos a ousadia, a coragem e a garra intrísecas no "sexo frágil" que escreveram suas histórias com seus corpos, sua sensualidade, sexualidade, seus amores, seus amados e seus amantes. Enfrentando a estupidez de uma medicina arcaica no desconhecido universo feminino, que faz do ciclo menstrual o causador de distúrbios psiquicos de histeria e loucura; da sangria na gestação e outras barbáries. Uma sociedade que impôs sobre as mulheres um jugo moralístico machistra para subjulgar a mulher como um serviçal doméstico, roubando-lhe o desejo, o prazer sexual e a sua sensibilidade e sensualidade; a proibição da mão de obra feminina diante das desigualdades sociais, a prostituição como única alternativa para a sobrevivência da mulher separada e pobre; a pobreza, a fome e a miséria vencidas por mãos que tecem , lavam e passam. Conhecer e vivenciar mulheres de fibra que não se curvaram, não se renderam, nem se entregaram, mas buscaram seu espaço palmo a palmo, com suor, sangue e luta, acreditando no pontecial e na força de ser mulher; para poder desembarcar na mulher atual que conseguiu romper todos os percalços e conquistar um lugar ao lado do homem.
E comemoramos algo além dos números: os avanços, resultado da pressão que fizemos para mudar leis, abrir novos mercados de trabalho e consolidar a igualdade em casa e na sociedade. Até uma pasta específica conseguimos no governo: desde 2002, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres se debruça sobre nossos problemas. Tudo isso nos permite olhar para os próximos desafios com a expectativa de que vamos vencê-los também.
E comemoramos algo além dos números: os avanços, resultado da pressão que fizemos para mudar leis, abrir novos mercados de trabalho e consolidar a igualdade em casa e na sociedade. Até uma pasta específica conseguimos no governo: desde 2002, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres se debruça sobre nossos problemas. Tudo isso nos permite olhar para os próximos desafios com a expectativa de que vamos vencê-los também.
Ansiosa como sou não poderia esperar até Março o mês em que se comemora o dia Internacional da Mulher,pra resgatar tudo isso, o feminismo é construido todos os dias,para o benefício de todos nós e das futuras gerações.O feminismo que aparta,que junta e que constrói!
Uma pequena lista como lembrete de que o feminismo é construído todos os dias para o benefício de todos nós e das futuras gerações. E será pra estas mulheres que abro o espaço do meu blogg e seu nome Santamariá, nada mais é do que a representação da mulher que serviu a Deus de forma inusitada,sem qualquer menção a religião e credo, é essa senhora de si mesma,regada de dons ,graças e carisma,que deu o grande salto,confiou ,permitiu e abriu um crédito infinito onde jamais voltou atrás
Marias,Clarice Lispector,Simone de Beauvoir, Irmã Dulce, Anne Frank, Elis Regina,Rita Lee, Billie Hollyday, Florbela Espanca, Frida Kahlo, Joana D’Arc, Bettie Page, Patti Smith, PJ Harvey, Eva, Cleópatra, Winnie Mandela,Cecília Meireles, Tarsila do Amaral, Anita Garibaldi, Cecília Meireles, Chiquinha Gonzaga, Joana d´Arc, Maria Quitéria, Maria Montessori, Rosa Luxemburgo, Marie Curie, Agatha Christie, Rachel de Queiroz, Madre Teresa, Evita Perón, Anne Frank, Toni Morrison ...e a tantas outras mulheres notáveis que causaram estranheza ou espanto simplesmente porque já estavam no futuro..
O Legado de Maria
Ave-Maria, branca, mulata, negra, crioula, sarará, cor-de-canela.
Ave-Maria, empregada doméstica, faxineira, babá, mucama.
Ave-Maria, das gerais, do norte, nordeste e daqui também.
Ave-Maria, de tantos, amor-primeiro.
Ave-Maria! No mês de maio, de Maria, sua xará, “cheia de graça”.
No mês de maio, da abolição da escravidão.
No mês de maio, do dia do trabalho.
No mês de maio, do dia das mães.
Ave-minhas-muitas-marias:
Terezinha, Guiomar, Creusa.
Margarida, Marinete, Marisa.
Dina, Bina, Neusa.
Lúcia e Luzia.
E do Carmo.
Ironia, uma só Maria.
Maria, em quarto-depósito nos fundos da casa.
Leito tosco do descanso sem lazer.
Sem ar nem amar.
Maria, esperada, procurada, valorizada.
Falada, aviltada, descartada.
Na velhice-miséria, largada.
Maria, do salário, o mínimo.
Do trabalho, o máximo.
Nosso próximo mais próximo.
Maria, do modelo econômico, produto.
Da concentração de renda, fruto.
E do êxodo rural. Caluda!
“Santa Maria, mãe de Deus”.
Maria como Maria.
“Rogai por nós pecadores”.
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