quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Amy

Caminhos: passar pela vida com uma postura morna e inofensiva ou dar a cara a tapa e pagar o preço? Eu tenho pagado o tal preço, e com prazer.

Tenho enfiado algumas musicas da Amy Winehouse no meu MP4,nem sei exato por quê..
É que além, obviamente, de eu a considerar a melhor coisa dos últimos tempos, a sonoridade quem sabe e a mulher tem (quase) uma orquestra, com teclados, sopro, backings vocals e o escambau. Eu me lembro quando a Amy surgiu aqui no Brasil, das pessoas me dizendo o quanto nos achavam parecidas. No começo achei que era maluquice, e depois entendi os motivos. Existem algumas identificações . Apesar de eu amar e ouvir durante a vida toda jazz e blues, o som da minha vida caminha pra outro lado. Mas talvez eu e ela tenhamos gostos parecidos. Sempre me amarrei nessa estética meio pin up, cinquentinha, vestidinho antigo, essas coisas. A parte lírica, que tanto tem a ver com os poetas românticos e soturnos, algo meio melancólico, confessional, e um jeito meio Baudelaire de ser. O fato de não tolerar algumas babaquices e de, por ser sincera, acabar se metendo em confusão. A impressão que eu tenho é que se ela morasse aqui seríamos da mesma galera. Engraçado, isso. Mas isso não importa, o fato é que as músicas dela me emocionam, ponto. Eu não consigo escutar Back To Black sem cair em prantos. Quando o arranjo de cordas entra no refrão e faz um contraponto absurdo de lindo com a voz, eu me desmancho inteira. Esse disco todo é uma obra de arte, e o resto – prisões, bebedeiras, drogas, maluquices - fica pequeno. Aliás, na verdade, nesse ponto ela não é muito diferente de várias pessoas que eu conheço; que às vezes fica doidão, bebum, faz merda, briga na rua ou dá vexame com o namorado. A única diferença é que a galera aqui no Brasil é mais discreta e, felizmente, não têm um paparazzo dos infernos perseguindo dia e noite. E se alguém me encontrar por aí com I Pod na orelha e choramingando, provavelmente estarei escutando Back To Black.

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